Elysia, AI emotional support for women
Plataforma de bem-estar feminino com IA, fundada, desenhada, desenvolvida e lançada. Do problema ao produto em produção.
Um problema pessoal transformado numa empresa
A Elysia foi o primeiro produto da OutStress, empresa que fundei. Nasceu de uma observação simples: mulheres à nossa volta que estavam claramente a lutar emocionalmente, mas que nunca pediam ajuda. Nem a amigos, nem a familiares, nem a profissionais.
O problema não era só acesso à terapia. Era algo mais difícil de resolver: a disponibilidade para admitir que precisavam de ajuda.
30 conversas. Um insight que mudou o produto.
Antes de desenhar qualquer coisa, falei com aproximadamente 30 mulheres na região de Torres Novas. O objectivo era perceber como lidavam com dificuldades emocionais e o que as impedia de procurar apoio.
Esperava encontrar barreiras práticas: custo, listas de espera, distância. O que encontrei foi mais fundamental.
A maioria das mulheres entrevistadas disse que habitualmente ignorava os próprios sentimentos. Descreveram usar uma máscara, não querer preocupar os outros, e sentir que os seus problemas não eram sérios o suficiente para justificar ajuda profissional.
Este insight reformulou completamente o problema de design. O desafio não era tornar a terapia mais acessível, era criar um espaço onde uma mulher pudesse primeiro admitir, mesmo para si própria, que estava a lutar. Sem vergonha, sem julgamento, sem precisar de se explicar a outro ser humano.
Cada decisão seguiu do insight do research
IA primeiro, humano depois
O assistente de IA foi o interface principal por design, não um fallback. Mulheres que não conseguiam falar abertamente com uma pessoa podiam falar com algo que nunca julgaria e estava sempre disponível. Um psicólogo só entraria no fluxo quando a IA detectasse sinais que exigissem intervenção profissional.
Linguagem suave, não clínica
Cada palavra no interface foi revista para remover framing clínico. 'Como te estás a sentir?' em vez de 'Descreve os teus sintomas.' A suavidade era um requisito funcional, não uma preferência estilística.
Onboarding gradual, zero pressão
O onboarding nunca pedia compromissos. Sem objectivos, sem horários, sem avaliações de saúde iniciais. A app conquistava confiança de forma incremental, a primeira interacção foi desenhada para parecer um check-in suave, não um formulário de triagem.
Plataforma holística: IA + ciência + comunidade
O produto integrou cronobiologia e crononutrição para personalizar conteúdos aos ritmos biológicos individuais de cada utilizadora. Adicionámos círculos terapêuticos online, jornada cíclica e conteúdos exclusivos, criando uma plataforma completa, não apenas um chatbot.

Tudo, do conceito ao produto em produção
Como founder e designer único da OutStress, fui responsável por toda a superfície do produto: user research, estratégia de produto, UX flows, design visual, prototipagem interactiva, identidade de marca, e desenvolvimento da aplicação para iOS e Android.
Não havia equipa. Cada decisão era minha para tomar e minha para defender, às utilizadoras que entrevistámos, ao programa de incubação, e ao mercado quando lançámos.
Lançado. Validado. Descontinuado.
30+
Mulheres entrevistadas em research primário
iOS + Android
Lançado nas duas stores
Incubada
Startup Torres Novas
Full stack
Research a código a produção
O produto foi lançado nas duas stores e validado pelo mercado. A OutStress foi incubada na Startup Torres Novas. O app foi descontinuado por falta de recursos financeiros para escalar.
O que fico da Elysia: os problemas de produto mais difíceis não são sobre features. São sobre as condições emocionais nas quais alguém está disposto sequer a tentar usar o que construíste. E que é possível ir de zero a produto em produção sozinho, desde que o problema seja real.